Aquele aperto estranho. O tempo
passou. Tanta coisa. Tanta história. Tudo é apenas um
vislumbre momentâneo, tudo é apenas aquele tal aperto no peito. Os sons e os
cheiros, tudo virou um vulto, alguns segundos perdidos olhando pela janela,
vendo mais uma vez ela passar. A vida sorri apenas, esperando que alguém a veja
e cumprimente-a. aguardando algum sinal de reconhecimento, daqueles que fazemos
quando encontramos ao acaso um velho amigo, fugindo da chuva embaixo de uma
árvore. A grande maioria das coisas durante toda uma existência só acontece uma
vez. Uma única vez, e a decisão errada pode deixar tudo estranho. Uma palavra a
mais ou a menos, um passo que foi ou não foi dado, um impulso que foi ou não
foi contido. E tudo pode simplesmente mudar. Pode acontecer de um jeito que não
teria acontecido se você tivesse dito outra coisa em algum outro momento.
Aquilo que você disse no telefone, quando já não se entendia mais, e perdia a
própria consciência para o sono, pode ter mudado o curso das coisas.
E se aquilo aconteceu pela última
vez? E se você o viu sorrindo pela última vez? E se ela é o amor da sua vida,
aquela com quem você vai sentar nos fins de tarde pra discutir a
transitoriedade da vida, e você simplesmente deixou-a ir? Não é uma questão de
aproveitar a vida a todo custo, deixar as coisas de lado, ir morar no campo e
aproveitar cada mínimo segundo para estar vivo ao máximo. É simplesmente ter
noção de que tudo pode acabar instantaneamente, de que toda uma história pode
desaparecer para sempre. Aliás, acabamos de nos deparar com uma das palavras
mais fortes e mais impactantes que existem: sempre. Amar pra sempre. Estar
sempre ao lado. E, enfim, desaparecer. Pra sempre. A verdade é que poucas
pessoas pensam nisso realmente. No quanto somos pequenos, ínfimos e
insignificantes. No quanto a nossa existência ou inexistência não afeta em nada
o curso das coisas. Em como vamos todos desaparecer, sem deixar nenhum rastro.
A maioria nem se dá conta de que a vida está passando. E essas pessoas deixam a
amizades morrerem, os amores passarem. E vivem por si e para si, sem nunca parar
para pensar no que disseram, em como magoaram alguém, ou em como resolveram se
fazer infelizes.
Temos tão pouco tempo. Tantas novidades ainda
por descobrir. E tudo o que resolvemos fazer é sentar e esperar. Esperar que a
vida enfim se esgote, que não tenhamos feito nada, e que o fim nos agarre e nos
leve ao sentido único e literal do sempre. Inexistir pra sempre.
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