Deixou o outro por ali mesmo, desacordado e cheirando a pólvora. Correu para bem próximo. Queria ver tudo de perto. As calças velhas já apertavam as pernas finas e dificultavam até a locomoção. Uma mulher rabugenta passava olhando, e ele fingiu estar perdido. Olhou para os lados, pôs os dedos no ar. Fez alguns gestos estranhos. Coçou a cabeça. Sentiu grãozinhos de areia, correndo feito loucos pelo couro cabeludo. A mulher, ao invés de ir embora, aproximou-se do rapaz de cabelo seboso e escorrido que devia estar perdido. Ela mostrou-se interessada em ajudá-lo, depois de uma visitinha à velha casa que herdara do saxão de quem fora esposa. O velho morrera com estranhas marcas e uns panos velhos enrolados no pescoço, que ela alertara à policia como um brutal suicídio. Os detetives perguntaram o porquê de tanta demora em avisar o ocorrido. Ela viajara a uma cidadela próxima, para visitar uns parentes, argumentou. Por três dias?Sim, ela disse. Ninguém em lugar algum vira ou ouvira qualquer argumento que procedesse com as palavras da mulher.